Meditação

Ao entrar no curso de Psicologia em 2007, busquei entender a mente a partir dos ensinamentos do Oriente e foi aí que encontrei os ensinamentos budistas.Eles me mostraram o ponto de partida para o equilibrio: a meditação.

Essa compilação abaixo foi feita por Fernanda Leão Ladeia de ensinamentos de Chogyam Trungpa no livro “Muito Além do Divã Ocidental – Uma abordagem budista da Psicologia” (2005)

Na forma budista de meditação, procuramos considerar aquele que percebe o universo. O eu, o ego.

A pratica da meditação se baseia não no modo como gostaríamos que as coisas fossem, mas no que é.

É muito necessário que sejamos realistas e críticos quanto ao que somos. Não podemos ser espiritualmente ingênuos. A desilusão consigo mesmo parece ser o ponto de partida da pratica da meditação. O ponto de partida é a insatisfação, a ausência de um sonho ou esperança secreta. É algo realista, pratico e direto.

O ego parte de uma confusão, dessa confusão ou insatisfação de não saber como chegar a uma solução.

Quanto o mundo real se torna maior e mais poderoso que nós, vem uma sensação automática de desorientação. E então buscamos no sentido materialista, ser uma pessoa mais rica, mais respeitável ou mais poderosa. No sentido espiritual, tentamos nos adaptar a uma disciplina básica, o qual pode enriquecer o ego, pois não sabemos porque estamos fazendo aquilo e isso se torna materialismo espiritual ou psicológico.

O que fazemos ou acumulamos não importa. O estilo de acumulação baseia-se na noção de desenvolver uma saúde fundamental, o que se deve entender como o ego essencial tentando usar as coisas como sedativos.

O primeiro passo é desistir de qualquer objetivo, finalidade ou meta.

Formação do ego

Devemos aceitar a confusão essencial do ego e trabalhar com ele. Esse confusão essencial é extremamente estupida, mas também inteligente, no sentido que se faz de surdo e mudo de modo astuto. E então o ego desenvolve certos padrões de emoções e sensações. Quando as emoções não bastam, colocamos conceitos e nomes às coisas,ajudando na domesticação da confusão. Além disso, o ego acumula pensamentos irregulares – um pensamento se sobrepõe ao outro – espiritualidade, fantasias sexuais, questões de dinheiro, assuntos domésticos, e assim por diante, sobrepondo-se uns aos outros o tempo todo. Logo o ego esta bem fortificado.

Devemos então não acumular coisas novas ou assuntos novos. A pratica da meditação baseia-se num processo de desfazer, de desaprender. É uma infiltração nessa bem fortificada estrutura do ego.

A meditação

No inicio, a meditação baseia-se puramente em lidar com os processos de pensamento. Simplesmente se tornando um com a respiração.

E no inicio, é um grande jogo. É pura imaginação: imaginamo-nos meditando. É um outro topo de sonho. Aceitando a nossa neurose e nosso caos essencial teremos um ponto de partida. Não tenha medo de ser bobo – comece como um bobo.

A meditação não tem como objetivo reduzir os pensamentos, mas sim um meio de fazermos as pazes com tudo que se passa dentro de nos.

Quando pararmos de julgar, estaremos bem perto de ver o interior.

_________________

*Existem várias formas de meditação e várias formas de começar. Deixo como sugestão abaixo um vídeo com um professor excelente Lama Padma Samten

 

Meditação